domingo, 10 de junho de 2012

A NOITE DA GUITARRA


Ilustração de DeLima Júnior

Dia 21 de setembro de 1991, o Auditório Araujo Viana foi palco do encontro de duas gerações distintas de guitarristas brasileiros. De um lado, a experiência de Robertinho do Recife e, de outro, a versatilidade de Frank Solari. Robertinho do Recife dispensa apresentações, seu talento é reconhecido internacionalmente por trabalhos que desenvolveu junto a ninguém menos que Jeff Beck e BB King. Já Frank Solari é um talento que desponta. Adepto do estilo Vai/Satriane, já chegou a um nível comparado aos próprios mestres. Em sua recém iniciada carreira Frank já pode se dar ao luxo de, junto com o guitarrista Duka Leindecker ter sido convidado a abrir os shows de Bob Dylan em sua turnê brasileira pelo próprio Dylan.

O show foi excelente, primeiro entrou Frank Solari com sua banda detonando temas próprios e músicas de Eric Johnson e Steve Vai. A banda do Frank é muito boa, principalmente o baixista Roger Solari, irmão do guitarrista. Robertinho do Recife começou o seu show tocando “Bolero” de Ravel, mas os clássicos não ficaram por aí, logo ele detonou a “Nona” de Beethoven que foi antecedida com uma excelente introdução de “Jesus, Alegria dos Homens” de JS Back a partir daí foi muitas e muitas viagens entre blues e sons pesados, sempre aliados de uma excelente técnica.

No final, para delírio do público os dois subiram junto ao palco para um duelo. Quem venceu? O Público! Este presenciou um dos melhores espetáculos de música instrumental.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: DeLima Júnior (RS) 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

DEEP PURPLE


Ilustração de Alex Doeppre
Cabelo branco e o melhor do rock’n’roll anos 70. Foi exatamente isto que o público gaúcho e até alguns catarinenses – estes que viajaram mais de 6h – puderam ver no Gigantinho, em Porto Alegre no dia 23 de agosto (1991), pois quem tocaria era nada mais, nada menos que Deep Purple. Com 23 anos de estrada, o Deep Purple é uma daquelas bandas que qualquer roqueiro que se preze gostaria de ver. Mais uma para por na lista das lendas vivas do rock que pisaram em Porto Alegre como Jethro Tull que veio em 1989 e o Eric Clapton em 1990.

O show começou pontualmente às 21h30min, com a abertura que ficou por conta de um dos pioneiros do rock gaúcho, Fughetti Luz, acompanhado do guitarrista Marcinho Ramos. O Fughetti é o principal letrista da Bandaliera e o Marcinho o guitarrista, e ambos empolgaram a massa com sucessos da Bandaliera. Após a abertura veio um show de raio laser e o Deep Purple entra detonando “Burn” e a galera, vai ao delírio para se deliciar logo em seguida com “Black Night”, onde a banda colocou trechos de “Child in Time”. Depois eles deram um tempo nos clássicos e atacaram com músicas do novo LP “Slaves and Masters”. Mas o público queria mesmo eram os velhos clássicos, e logo veio “Perfect Strangers” e “Highway Star”. Um dos momentos hilariantes ficou por conta do Blackmore quando ele ajoelhou-se e estendeu sua guitarra fender para a massa, inesquecível, principalmente para quem estava entre a primeira e segunda fila da pista como eu.

Com exceção do vocalista Joe Lyn Turner que deixou a desejar, a banda esteve ótima. A cozinha baixo/bateria de Glover/Paice respectivamente, manteve o pique. John Lord detonou “Aquarela do Brasil” em seu solo e Ritchie Blackmore extravasou tocando a “nona” de Beethoven ao melhor estilo do tempo do Rainbow. O show foi realmente demais, e para torná-lo inesquecível, o bis veio com “Smoke on the Water”. Depois de aproximadamente 1h45min o público saiu satisfeito por ter visto mais um dinossauro do rock bem de perto.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Alex Doeppre (RS)

FAITH NO MORE


Ilustração de Luciano Irrthum
Faith No More, a grande revelação do Rock in Rio II encerrou sua turnê Sulamericana em Porto Alegre no dia 27 de setembro (1991). O show prometia muito, pois a banda goza de um carisma enorme, tanto junto aos ouvintes de FM’s quanto junto ao pessoal do rock pesado, afinal eles conseguiram unir bem o peso do metal com o pop das FM’s.

A abertura ficou por conta da banda Maggie’s Dream, que tem como vocalista o ex-Menudo Robbie. Não é pela presença do Menudo, mas a banda não me empolgou nem um pouco, embora o baterista fosse muito bom. O público então, não perdoou, foi vaia em cima de vaia e uma chuva de papel atirado ao palco. Mesmo assim o cara não se intimidou e tocou quase uma hora. Após a abertura veio uma demora na entrada do FNM, ocasionado pela retirada do equipamento da Maggie’s Dream e a montagem do palco para o FNM. Mas valeu a pena, pois quando o FNM subiu ao palco o delírio tomou conta do público e ninguém mais se importou com a demora.

O FNM é realmente uma boa banda, e no palco, são melhores ainda. Mike Patton é um endiabrado, pula de um lado para o outro, faz caretas, bate cabeça, pirado total e ainda estava vestido ao melhor estilo sambista, com um terno de linho branco e camisa vermelha, é mole! Mas o que surpreendeu mesmo foi Jim Martin e Bill Gould, vestidos com trajes típicos gaúchos, bombachas, botas e até lenço no pescoço. Uma cena no mínimo hilária. De toda a banda, Mike Patton (vocal), Mike Bordim (bateria), Rodd Bottum (teclados), Jim Matim (guitarra) e Bill Gould (baixo), o que mais me surpreendeu foi mesmo o último, um excelente baixista, no seu estilo é claro. O show teve seu ponto alto do meio para o final, quando começaram a detonar músicas como “Surprise You’re Dead” “Epic” – que infelizmente não ficou muito bem executada, e o bis que veio com a versão de “War Pigs” do Black Sabbath.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Luciano Irrthum (MG)

domingo, 22 de abril de 2012

Roger Waters – The Wall Live Porto Alegre 2012


Arte: Paulo Fernando

Domingo, 25 de março de 2012, Porto Alegre presenciou a abertura da turnê “The Wall Live”, no Brasil, do ex-baixista do Pink Floyd, Roger Waters. Desde que saí do estádio Beira-Rio, palco do show, fiquei pensando em como definir o que assisti, mas não tenho palavras! Pensando bem, foi o maior espetáculo da Terra!

Imagine um show de rock que consiga misturar música, cinema, teatro, discurso ideológico e discurso pacifista. Sim, você está pensando em The Wall, mas o que ouvimos no disco ou vimos no filme de Alan Parker ainda é pouco para definir esta turnê de Roger Waters. Nunca imaginei que “O Muro” poderia ganhar, ao vivo, a força que a música de Waters e o filme de Parker já haviam me transmitido. O Show é um tremendo espetáculo, daqueles que ficamos estáticos, de olhos vidrados olhando para o enorme muro que cortava o estádio de uma lateral a outra do fundo do campo, muitas vezes deixando a banda no palco como segundo plano. Mas longe de ser demérito aos músicos, é um conceito de arte-espetáculo.

Certamente, o público ficou na dúvida de qual momento foi mais significativo. O início, com “In The Flesh”, vendo uma explosão de luz e fogos que culmina com um avião colidindo com o muro ou ao longo do espetáculo – volto a frisar, foi mais que um show – quando uma sucessão de imagens, frases, animações, bonecos gigantescos e um enorme javali inflável sobrevoando o público mostraram que o espetáculo é completo.

Quanto às músicas, todas cantadas com maior ou menor intensidade, emocionando a multidão, seja pela canção em si ou pela imagem que remetia à música. Ver o guitarrista no alto do muro em “Confortable Numb”, o letreiro de “Run Like Hell” tomando conta do muro, a mais pop, “Another Brick In The Wall Part 2” com o boneco gigante do professor e até mesmo o muro sombrio em “Hey You” fica difícil de escolher “o momento” do show. O espetáculo vai ficar eternamente em nossas memórias.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Paulo Fernando (CE)


Estádio Beira-Rio

ERIC CLAPTON – PORTO ALEGRE (1990)


Arte: Jader Correa

Eric Clapton foi considerado um deus da guitarra. Isto é um pouco demais. Mas o importante é que os brasileiros tiveram a oportunidade de ver o melhor show internacional que já veio para cá. È indiscutível o carisma de Clapton e a capacidade de satisfazer gerações, pois como explicar a diferença de idade entre as 17 mil pessoas que foram ao Gigantinho, no dia 16 de outubro de 1990. E não é só a questão de ir, mas sim de participar, tanto pela euforia como cantando em diversas músicas. É de se ressaltar que o show do Clapton não é de apelo comercial e sim levado para o rythm’n’blues. Mas vamos ao show.

Pontualmente às 21h30 as luzes se apagam, o público fica eufórico e começa a ouvir-se a parte instrumental de “Layla”, toada só pelo teclado. Logo Mr. Eric Patrick Clapton sobe ao palco para delírio do público. “Pretending”, música do último Lp de Clapton – Jorneyman, abre o show, mais umas músicas e ele ataca de “I Shot the Sheriff” de Bob Marley é o primeiro hit da noite, sem dar fôlego vem “White Room”, música de sucesso da época que Clapton tocava no Cream. A partir daí rolou muito rythm’n’blues e o melhor da noite, um super blues onde Eric mostrou que sua paixão pelo blues supera qualquer fama que outras músicas mais comerciais possam lhe dar. Eric Clapton já estava totalmente entregue ao show, apresentando certamente uma das melhores performance de sua turnê pelo Brasil. O público delirava com o show, aplaudia e urrava a cada música executada. O show foi chegando ao seu clímax e Clapton atacou com a romântica “Wonderfull Tonight”. Logo vieram as clássicas “Cocaine” e “Layla”. Tinha chegado ao fim, após 2h, o melhor show que Porto Alegre já imaginou poderia ver.

Mas ainda era pouco, Eric volta sozinho e faz umas improvisações na sua guitarra Fender Stratocaster preta, logo a banda já está no palco e o rock’n’roll volta a rolar por mais 30 minutos onde cada um dos músicos mostram pro que acompanham Clapton. A banda: Tessa Niles e Katie Kisson nos vocais, o tecladista Greg Phillinganes, o guitarrista Phil Palmer, o baixista Nathan East, este uma verdadeira fera do baixo que surpreendeu muito com suas excelentes intervenções. Outro que deu um show a parte foi o percussionista Ray Cooper que comandou o público por longos minutos ao lado do baterista Steve Ferrone. Mas quem deu o toque final foi mesmo Eric Clapton. E após 2h30 o público saiu do Gigantinho satisfeito, pois o show de Eric Clapton ficará na memória dos gaúchos como um dos melhores dos últimos tempos e de muitos que ainda virão.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Jader Correa (RS)

quarta-feira, 14 de março de 2012

SEPULTURA


Sepulxama - Arte: Edgar Franco
Após aproximadamente dois anos de sua última e única apresentação em Porto Alegre a banda mineira de trash-metal Sepultura deu novamente o ar de sua graça. O show aconteceu no Ginásio Geraldo Santana com coordenação de Kátia Suman (Rádio Ipanema FM). O Sepultura acaba de voltar de uma tour pela Europa e EUA onde fez 52 shows de lançamento do seu último LP “Beneath the Remains”, lançado pelo respeitado selo Road Runner. Mas vamos ao show!

Quem abriu a festa foi o grupo de trash gaúcho GBRA, que deixou um pouco a desejar, obvio que há motivos. Mas logo a fera sobe ao palco e aí ninguém mais parou. O som super “paulada” fazia a galera balançar a cabeça como de costume, mas com muito mais gosto é claro, pois estavam vendo uma das melhores bandas de trash do mundo e realmente o Sepultura esta com um nível internacional super aprimorado.

O show estava tão bom que até eu, que não sou head banger, gostei. O destaque do show ficou mesmo com o baterista Igor Cavalera que acabou confirmando o que eu já vinha dizendo, ele é um dos melhores do país. Sempre uma atração são os mergulhos dados do palco pela galera. Teve um momento que um locão subiu com as calças baixas no palco. Mas o que me surpreendeu foi o grande número de meninas no show.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Edgar Franco (MG)

ROD STEWART


Arte: Edgard Guimarães
Parece perseguição, mas a cada show que acontece em Porto Alegre a tendência é chover, pelo menos é o que acontece na maioria das vezes. Neste domingo de páscoa (26/03/1989) onde o cantor inglês, mas escocês de coração Rod Stewart se apresentou no Estádio Olímpico, tudo indicava que a chuva iria rolar solta, pois começou a chover no sábado à noite, mas felizmente o último toró foi domingo às 18h. 21h, Barão Vermelho sobe o palco para abrir a festa, os fãs que me desculpem, mas o que salva são as músicas da época do Cazuza como Maior Abandonado e Bete Balanço. Não sei como os leitores da Bizz deram o 3º lugar como melhor baixista de 1988 para o Dé.

Após meia hora de Barão, começou o corre-corre no palco, todos empenhados a cuidar o máximo para a entrada do Rod. Já eram 22h, todos impacientes, de repente apagam-se os refletores e Rod entra no palco, delírio da massa, agitação total, gritos, aplausos, tudo em nome da alegria e eu só de canto. O show rolava e eu cuidava todos os pontos, claro que o Rod não tem muito a ver com meu gosto musical, mas se levarmos em conta as músicas do cara, veremos que o show tem o seu valor, pois ele sabe fazer uma verdadeira balada. Escutando aquelas músicas vemos como o romantismo está fraco hoje em dia, não existe mais aquele violão no início da música e nem aquele solo de guitarra. Hoje é só teclado eletrônico do início ao fim.

Claro que no show não poderia faltar os sucessos pasteurizados pelas gravadoras. Mas entre tudo isso temos de elogiar a competência da banda que acompanha o Rod. Todos muito bons, como o saxofonista que fez seu pequeno show ou o baterista que foi uma das estrelas da noite, com uma performance num solo que certamente nos leva a crer que sua escola não é outra senão o falecido e memorável Bonzo. O guitarrista esteve sempre muito bem, mas para não ficar para traz o guitar-base resolveu duelar com o solista e foi genial. Mas o ponto alto realmente ficou mesmo para o rock’n’roll. Final de festa, foram 2h de show mais o tradicional bis, tudo para o registro de outro astro do rock internacional que pintou por estas plagas.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Edgard Guimarães (MG)