terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

OS CHEGADOS

Arte de Anderson Ferreira
Finalmente posso dizer que vi uma grande atração do cenário pop/rock nacional em minha cidade: Alvorada/RS. As grandes bandas gaúchas já haviam tocado por aqui, mas nunca esperei que não fosse preciso ir a Porto Alegre para ver um show como o “OS Chegados”. O show é uma ‘jam session’ com músicos consagrados do rock nacional. Em Alvorada vieram: Rodolfo e Canisso (Raimundos), Nasi (Ira!), Black Alien (Planet Hemp), a turma do Rumbora e os gaúchos, Rafael Malenoti (Acústicos & Valvulados), Piá (happer) e a galera da Comunidade Nin-Jitsu.

A festa começou com o show de abertura a cargo da banda Rumbora, que mostrou muita pegada com ótima presença do baterista Bacalhau, mas não chegou a levantar a galera. Credito a isso, a falta de conhecimento das músicas. Mas o que interressava mesmo era a ‘jam’ que iniciou com o Rumbora chamando Rodolfo ao palco pra detonarem clássicos dos Ramones com “Rock’n’roll Radio”, “Sheena is a Punk Rocker” e “Surfin Bird”. A estas alturas, Canisso já tinha mostrado a que veio. A melhor parte do show foi quando Nasi assumiu os vocais e detonou Sex Pistols, The Clash e mais Ramones. Neste momento, Rafael faz as horas da casa cantando uma do TSOL.

No terceiro momento o palco tinha mais de dez componentes, entre os já citados, juntou-se a galera da Comunidade Nin-Jitsu para cantarem “Detetive” e “Surfista Calhorda”. Depois a Comunidade chamou Black Alien e o happer Piá para o momento reggae e hap da noite. No final a formação que iniciou a noite volta ao palco para detonar mais clássicos nacionais e internacionais: “Até Quando Esperar” (Plebe Rude), “Give Way” (Red Hot Chilli Peppers) e “Enter Sandman” (Metallica). Na saideira, Nasi chamou “Núcleo Base” e meio no improviso tocaram “Puteiro em João Pessoa”. A gelera agradeceu e queria mais, mesmo depois de 3 horas de show.

Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Anderson ANDF (RS)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

SOMOS TÃO JOVENS

Arte de Marcelo Dolabella
Para quem, como eu, que milita na área dos fanzines, é normal a mistura das artes: música, cinema, poesia, protestos, quadrinhos etc. O filme de Antônio Fontoura é um pouco de tudo isso ao apresentar a biografia do lendário Renato Russo, um dos poetas do rock nacional e vocalista da cultuada banda Legião Urbana. Ao assistir ao filme lembrei de uma história que ainda não relatei em meus zines.

Atlântida Rock Sul Concert

Este evento foi um dos primeiros a mostrar a chamada “nova geração do rock nacional”. O evento, que depois acabou originando o hoje conhecido “Planeta Atlântida”, ocorreu durante um mês, com shows coletivos a cada sábado, num total de 4 noites, no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre. Na época, eu era um adolescente sem um centavo no bolso, e juntei uma grana que me possibilitou ir a uma das noites. Escolhi a que tocaria o Ultraje a Rigor, pois curtia direto o disco “Vamos Invadir Sua Praia”.

Mas vejam como são as coisas. Na mesma noite, quem abriu foi o Júlio Reni & Expresso Oriente, que depois se tornaria, para mim, uma referência. Na sequência, veio o Taranatiriça, uma das principais bandas de rock gaúcho dos anos 1980, e logo em seguida o Ira!, banda que hoje tenho como a melhor coisa que o rock nacional criou. Os caras sempre tiveram uma postura independente, sem deixar de trabalhar para o ‘mainstream’. Após o Ira! vieram uns caras de Brasília, a Legião Urbana e, sem querer, acabei vendo um dos primeiros shows da Legião fora de Brasília e, bom, o resto vocês conhecem a história. A noite encerrou com o Ultraje a Rigor.

O Filme

“Somos Tão Jovens” é muito bem produzido, cinematograficamente irretocável, mas o que me chamou atenção e faz do filme uma referência foi mostrar como a galera se mobilizava para fazer rock e se divertir. Para mim, que vivi esta época, foi como ver o meu filme passar, guardada as devidas proporções. O que a galera de Brasília fazia não foi diferente do que era feito em muitos cantos do Brasil, onde todos os jovens tinham que ter uma banda, fazer seus próprios cartazes e imprimir zines divulgando as bandas do cenário alternativo. O filme também procura mostrar, dando um desconto para as licenças poéticas, que as letras do Renato tinham um porquê de terem sido escritas. Por fim, achei interessante o recorte dado ao filme que termina quando a banda aparece para o Brasil.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Marcelo Dolabella (MG)

FERNANDA ABREU & J’QUEST

Arte de Paulo Fernando
Fernanda Abreu e J’Quest (no início de carreira a banda assinava desta forma) foram atrações do tradicional festival de canoagem que ocorre em Três Coroas/RS no dia 27 de setembro de 1997.

Quem começou a festa, sim, pois com estes shows extremamente dançantes, o ginásio virou uma festa, foi Fernanda Abreu. O show da moça é altamente competente, com uma banda de ótimos profissionais segurando o ritmo para Fernandinha rebolar da primeira a última música. Aliás, este show foi calcado em seu novo trabalho “Raio X” (a cantora subiu ao palco com um colar trazendo uma radiografia em alusão ao novo CD), e nele existe um momento intimista, conforme explica a cantora, e aí ela não rebola pois está com a ‘bundinha’ num banquinho. Feliz banquinho! No mais a de se destacar a excelente performance do guitarrista Fernando Vidal, principalmente no solo hendrixiano incluído na música “Rap Rio”. Pena que faltaram músicas do primeiro CD como “Speed Racer”.

Depois de 1h e meia de Fernandinha chegou a vez dos mineiros do J’Quest. Possuía um pré-conceito em relação a estes caras, mas quando começaram a tocar, senti que estava completamente enganado. O show do J’Quest é muito bom e recomendo para todos que curtem um som swingado a lá funk anos 1970. O som ‘black power’ é referencia obrigatória dos carinhas, que não perderam a oportunidade para reverenciar o cantor/ator Tony Tornado, o primeiro a aparecer na TV com um cabelão ‘black power’. No show, além dos sucessos da banda, covers, ou digamos assim, releituras de Roberto Carlos, Tim Maia (outro mestre para o J’Quest) e o soulman James Brown. Há de se destacar também o naipe de metais que acompanha a banda.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Paulo Fernando (CE)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

EMERSON, LAKE & PALMER

Arte de Batata
Às 20h30 os alto-falantes anunciam: “Ladies and Gentleman, Emerson, Lake & Palmer”, e cada um vai subindo ao palco nesta mesma ordem para saudar o público de mais de duas mil pessoas em plenas ruas da cidade de Gramado/RS como uma das atrações do Festival de Cinema da cidade, no dia 10 de agosto de 1997. Entre estes espectadores, alguns atores e atrizes que estavam no evento circularam entre o público, como José Wilker, aproveitando para dar uma ‘espiada’ na banda.

O show foi algo fora do comum. Confesso que não esperava algo tão impressionante como me foi proporcionado por EL&P. O ponto culminante foram as baladas “From the Beginning” e “Lucky Man”, esta cantada em coro uníssono de Greg Lake e o público. O tecladista Keith Emerson fez sue show a parte em um número com um tema muito complexo onde mostrou toda sua técnica, para logo em seguida atacar com o ‘boogie-woogie’ “Honky Tonk Train Blues”, simplismente divino. Dentro daqueles momentos programados para parecer obra do acaso, Carl Palmer anuncia um probleminha em sua bateria e Emerson e Lake aproveitam para um rápido improviso que no final foi aplaudido pelo público com Lake fazendo cara de que foi coisa  de momento. Palmer mostrou porque é considerado um dos principais bateristas do rock progressivo em um solo destruidor de quase dez minutos.

O show como falei foi espetacular para quem conhece o trabalho deles e algo fenomenal para os fãs de carteirinha da banda, que alías tinham muitos, pois pata todo lado se encontrava ‘coroas’ dando soquinho no ar. Para finalizar, no bis, Emerson literalmente assassina um velho órgão com dois punhais, mas ainda resiste para o tecladista rolar no palco e tocar sobre ele com as notas invertidas. Foi delírio direto do público.

Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Batata (SP)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

STARS FROM THE COMMITMENTS

Arte de Ronilson Leal

Sexta-feira 13 de dezembro de 1996, o filme “The Commitments – Loucos Pela Fama” de Alan Parker se materializa no palco do Salão de Atos da UFRGS em Porto Alegre. Após um excelente filme, uma parte do elenco resolveu manter a banda e sair em turnê pelo mundo, chegando a capital gaúcha. A banda irlandesa Stars From The Commitments é formada por Dave Kearey, Karen Coleman, Dick Massey, Kenneth McCluskey, Dave Finnegan, Gary Gazoway, Joey Fargen, Paul Duff, Sean Cormley e Evanna Cosgrowe. Na realidade, não saberia dizer quantos destes pertencem ao elenco original do filme, mas isso pouco importa, o que vale é o som, e isto eles não deixaram a desejar.

O show estava marcado para às 21h, mas começou mesmo 30 minutos depois, quando o velho trompetista do filme sobe ao palco para chamar a banda. De cara eles detonam o clássico “Take me to the River”. Após duas músicas o vocalista Dicy Massey começa a revezar os vocais com os demais componentes da banda, até que uma das vocalistas canta “Chain of Fools” e o público, que até então estava confortavelmente sentado, levanta para praticamente não mais sentar, dançando o show inteiro e só dando um tempo nos takes mais românticos do show. A banda foi desfilando clássicos como “I Can’t Stand the Rain”, “Mr Pittifull”, “The Her Right” e “Try a Little Tenderness”. Mas a música que foi cantada em coro pela plateia foi “Mustang Sally”, esta com direito a solo de guitarra e tudo, tal como na versão de Buddy Guy. Não poderia faltar obviamente os clássicos de Mr Dynamite – James Brow – como “I Fell God”.

Após uma hora e meia de show, a banda se despede do público, mas acaba voltando para mais dois bis. Os Commitments encerraram o show com o melhor da Soul Music, a clássica “Midnight Hour” de Wilson Picket.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Ronilson Leal (MG)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

KISS

Arte de Luciano Irrthum
Finalmente Porto Alegre recebeu um megashow: “Psico Circus” da banda Kiss. O famoso show em 3D ocorreu no dia 15 de abril de 1999 no Jockey Club de Porto Alegre. Durante o deslocamento já se tinha uma ideia da grandiosidade do evento. Milhares de jovens, todos de preto e alguns mascarados invadiram o centro da cidade para pegar o ônibus que levava até o Jockey. Ali já iniciaram o ritual de gritaria e das ‘guampinhas’ quando encontravam amigos ou se parasse ao lado de alguma caravana vinda do interior do estado.

A abertura ficou cargo da banda alemã Ramstein, que subiu o palco com o vocalista literalmente em chamas. Quando o relógio marcava 22h30, uma imensa cortina cobriu o palco para ser derrubada ao som de “Psico Circus”, os quatro mascarados estavam no palco: Peter Cris (bateria), Ace Frenley (guitarra), Paul Staley (guitarra/voz) e Gene Simmons (baixo/voz). A banda vai apresentando tudo aquilo que se esperava muitos efeitos de fogos e imagens, Simmons mostrando a língua e cuspindo fogo, enquanto Staley tratava de conduzir a galera no ‘tira e bota’ dos óculos para os momentos em que o telão mostrava imagens em 3D, aliás, a grande sacada do show. Simmons e Staley tinham a atenção maior, Frenley e Cris puderam também tê-la nos seus momentos solos, que infelizmente deixaram a desejar. O solo de Frenley chegou a ficar muito chato a certa altura do set.

Quanto às músicas, os fãs não puderam se queiar. A banda desfilou vários clássicos como “Detroit Rock City”, “Love Gun” em que Staley voou sobre o público, “Shock Me” e outras. Até Cris teve seu momento de ovação ao fazer um descarado playback na clássica “Beth”. Mas a música que levantou as mais de 40 mil pessoas foi mesmo “Rock’n’roll All Nite”. Resumindo, tivemos duas horas de um magnífico espetáculo.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Luciano Irrthum (MG)

YES

Arte de Gazy Andraus
Na terça-feira, 19 de maio de 1998, Porto Alegre pode saciar sua sede de boa música e assistir um dos ‘jurássicos’ do rock: Yes. Diferente dos amiginho do Spilberg, estes são de verdade e estão vivos. O Yes está em turnê mundial do lançamento de seu novo trabalho: “Open Your Eyes”, comemorando 29 anos de estrada e trazendo de volta o guitarrista Steve Howe. A banda já computou 13 integrantes neste tempo todo e aqui em Porto Alegre baixou com  Jon Anderson (voz), Cris Suire (baixo), Alan White (bateria), Steve Howe (guitarra), Billy Sherwood (teclados) e o guitarrista convidado Igor Koroshev.

O show começa pontualmente às 22h e o Yes vai mostrando a que veio: satisfazer o público que na esmagadora maioria os assiste pela primeira vez depois de mais de 20 anos de espera. Todas as músicas e os solos que se esperavam tiveram presentes e ninguém pode dizer eu faltou esta ou aquela canção. O show foi completo!

Para mim, um show a parte era ver Steve Howe. Assim, procurei um local privilegiado para vê-lo. O cara deu uma aula de cordas, ora de guitarra (5 modelos diferentes), ora de violão (3 modelos diferentes). O destaque ficou para seu momento solo em que interpretou dois temas, enre eles a clássicas “Mother for a Day”. Quem me surpreendeu também foi o baixista Cris Squire. Já havia visto alguns vídeos ao vivo do Yes e nunca me chamou a atenção os solos do baixista como neste show, onde foi genial. Outro momento que não esperava neste show era a execução do megahit “Owner of a Lonely Heart” por ser composição do guitarrista Trevor Rabin. O Yes desfilou seus clássicos por duas horas e voltou para o bis tocando a imortal “Roundabout” de 1972. O público, é claro, saiu de alma lavada.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Gazy Andraus (SP)