sábado, 8 de dezembro de 2012

ROBERT PLANT

Arte de Jeferson Adriano

Na minha adolescência, quando descobri o rock, uma das bandas que fez minha cabeça foi o Led Zeppelin. A banda apresentava um rock pesado, mas com composições muito bem elaboradas e, tudo isso, com os dois pés fincados no Blues, o que, alguns anos depois, me fez curtir ainda mais o Led. Além disso, quando peguei uma guitarra nas mãos, queria aprender aqueles riffs fantásticos do senhor Jimmy Page.

O dia 29 de outubro de 2012, oportunizou-me realizar um sonho de adolescente. No palco do ginásio Gigantinho, em Porto Alegre/RS, estava o senhor que foi o band líder e a voz do Led Zeppelin, Robert Plant. Ele veio ao Brasil com sua mais recente turnê ao lado de sua banda de apoio, a Sensational Space Shifters, um time de ótimos músicos e totalmente integrados ao projeto de Plant. Robert ainda solicitou que o show de abertura fosse com um músico que representasse a música regional do Sul, e neste caso, foi escalado Renato Borghetti, que faz um som regional com uma mistura jazzística. Perfeito!

Arte de Henry e Fafá Jaepelt
Pontualmente às 21h30, Robert Plant subiu ao palco mostrando que não ficaria à sombra do passado. Durante a primeira metade do show mostrou músicas do seu mais recente disco, onde a influência da música indiana e africana são marcantes. Influências estas incorporadas na releitura de clássicos do Blues como “Spoonful” e de sua grande banda, como em “Black Dog”. “Ramble On” fez o público cantar junto e ovacionar o ídolo, já que manteve-se o arranjo original. Quando o riff de “Whole Lotta Love” soou no palco, o ginásio veio a baixo, mesmo que Plant logo mostrasse uma sonoridade diferente. O show transcorreu tão bem, que sem se perceber, passou-se 1 hora e meia de música.

Aos 64 anos de idade, Robert Plant teve fôlego para voltar ao palco e brindar o público, que lotou o Gigantinho, com dois clássicos do rock e do Led Zeppelin: “Going to California” e “Rock’n’roll”, aí com o público cantando, digo, gritando de euforia.

Confira o vídeo de "Rock'n'roll" ao vivo em Porto Alegre gravado por Denilson Reis e editado por Anderson Ferreira:


Ingresso para o show de Robert Plant em Porto Alegre/RS:



Texto: Denílson Rosa dos Reis
Ilustrações: Jeferson Adriano (MG) e Fafá & Henry Jaepelt (SC)

sábado, 22 de setembro de 2012

IRON MAIDEN

Ilustração de Gazy Andraus

Espetacular! Simplesmente espetacular! Foi assim o show que o Iron Maiden fez no dia 4 de agosto de 1992 no Gigantinho.

Encerrando a parte brasileira da turnê mundial “From Here To Eternity”, em lançamento de seu novo LP “Fear Of The Dark”, Iron Maiden chegou à Porto Alegre para um show magnífico. O show do Iron é um daqueles imperdíveis, uma oportunidade única, e por isso certamente foi o motivo para a vinda de aproximadamente 20 ônibus do interior do estado para Porto Alegre. Cerca de 10 mil pessoas – público bom, levando-se em consideração a situação do povo brasileiro e o alto preço dos ingressos – foram ao delírio quando Dave Murray e Janick Gers (guitarras), Nicko McBrain (bateria) e Steve Harris (baixo) literalmente comandados por Bruce Dickson (vocal), subiram ao palco após a rápida abertura da banda Thunder, também da Inglaterra.

O primeiro petardo da banda foi “Be Quick Or Be Dead” do novo LP para logo em seguida levarem o público ao êxtase com a clássica “The Number Of The Best” e aí as clássicas não pararam a não ser pela execução das músicas do novo LP, cerca de 5 músicas. O público urrando e o Iron detonando o seu metal de alta qualidade. Os músicos são realmente excelentes! Nicko McBrain ficou simplesmente escondido atrás de sua imensa batera; Steve Harris sempre foi considerado um dos melhores baixistas do heavy metal e realmente ele o é; Dave Murray mostrou tudo que sabe; o estreante Janick Gers conseguiu fazer com que não sentíssemos a falta de Adrian Smith com uma estupenda apresentação; enquanto isso Bruce Dickson comandava o show levando a galera, correndo de um lado para o outro do palco e soltando um poderoso vozeirão.

Quase no final do show, que durou aproximadamente duas horas, foi à vez de o monstrengo Eddie subir ao palco. O show como falei no começo foi espetacular. Agora é só esperar uma remota volta do Iron.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Gazy Andraus (SP)

JORGE BEN JOR

Ilustração de Paulo Fernando

Para encerrar o Congresso da Cidade de Porto Alegre, nada melhor que muito suingue, balanço e alegria, em um show contagiante. A Prefeitura de POA acertou em cheio: Jorge Ben Jor. Ele é uma lenda viva da MPB, um verdadeiro ‘dinossauro’, redescoberto pela gurizada através de seu hit “W/Brasil” que rola direto em todas as FMs e AMs, até nas mais alternativas. E estão todos certos, independente do público alvo, o cara é bom mesmo.

O show foi no Largo Glênio Peres – centro de POA – no dia 19 de dezembro de 1993 para um público de mais ou menos 15 mil pessoas. Tinha de tudo, uma verdadeira fauna de tribos: os playboys de última hora, quase desavisados, o pessoal da MPB, os ‘locão’ de sempre e a galera do suingue, todos no maior embalo e numa boa.

No palco Jorge Ben Jor mandava ver com os sucessos da antiga como “Fio Maravilha”, “País Tropical”, “Taj Mahal” e músicas do seu mais recente disco, “23”, o 28º de sua carreira. Mas a música que levantou a galera foi realmente “W/Brasil”, cantada em coro por todos, foi de arrepiar. Jorge Ben Jor mostrou que está na melhor forma e aproveitando bem este momento de preferência nacional.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Paulo Fernando (CE)

domingo, 26 de agosto de 2012

BLACK SABBATH

Ilustração de Jusciano Carvalho

Quarta-feira não é o melhor dia para se curtir um show, principalmente se for no inverno e estiver chovendo. Mas, morar em Porto Alegre é isso, show internacional fim de semana fica sempre para RJ e SP, mas tudo bem. O Black Sabbath, lendária banda dos anos 1970 e a precursora do heavy metal chegou a POA dia 1º de julho de 1992, numa quarta-feira para um memorável show no Ginásio Gigantinho trazendo na bagagem além da segunda formação (Ronnie James Dio, Geezer Butler, Tony Iommi e Vinnie Appice), o lançamento do novo LP “Dehumanizer”.

O show estava previsto para as 21h e só às 20h e 45min foram abertos os portões, com um dado curioso. Dizem que metaleiro é agitador e anarquista. Mesmo com esta demora não houve tumulto na entrada, ao contrário do show do Faith No More – nada contra a banda, que 70% do público eram de “mauricinhos” e “patricinhas” e quase houve um massacre na entrada.

As 22h e 15min o Black Sabbath sobe ao palco vendo os quase oito mil metaleiros para uma viagem as origens do heavy metal. O show não poderia ser melhor, além das canções do novo LP o Sabbath detonou todas as músicas que o público queria ouvir. Ninguém ficou decepcionado, até eu que prefiro os vocais do Ozzy tive de dar o braço a torcer pro Dio, o cara comandou o público excepcionalmente e com um excelente vocal. Iommi não é considerado um guitarhero, mas sua guitarra precursora do heavy é incomparável. No solo Iommi detonou riffs pesados misturados a solos rápidos tendo como fundo um sintetizador monstruoso. Vinnie é um demolidor de bateria, enquanto Butler mantém a marcação para Iommi. O show foi maravilhoso, músicas como “War Pigs”, “Sabbath Black Sabbath”, “Heaven and Hell” e “Iron Man” levaram o público ao delírio. O bis não poderia ser mais paranóico, afinal eles atacaram de “Paranoid”.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Jusciano Carvalho (DF)

IAN GILLAN

Ilustração de Sandro Andrade

Mais um dinossauro do rock desembarcou em Porto Alegre para alegria de autênticos roqueiros sedentos de um bom rock’n’roll. Ian Gillan, a voz do Deep Purple fez show no Auditório Araújo Vianna no dia 9 de maio de 1992 em lançamento de seu mais recente álbum “Toolbox”. Este é o 7º da carreira solo de Gillan, mas nada se compra a sua colaboração com o Deep Purple e até mesmo com o álbum que gravou nos anos 1970 com o Black Sabbath. Ano passado teve o Purple sem Gillan e sentiu-se a sua falta. Este ano tem o Gillan sem o Purple e sentiu-se falta deles. Mas vamos ao show.

Com meia hora de atraso começou o show que estava previsto para as 21h. Gillan subiu ao palco com cabelos soltos dançando e batendo palmas, o público vibra ao ver seu ídolo de perto. As músicas deste seu álbum “Toolbox” não são conhecidas do público, mas o pessoal aplaude a cada final de música. Mas quando Gillan chama “Black Night” à coisa é diferente e o pessoal canta junto, num clima emocionante. Gillan conduz o show exatamente como manda o figurino, solta seus famosos agudos e gemidos, toca harmônica, e, pasmem, faz um solo em uma tumbadora.

Enquanto isso a banda vai fazendo seu papel. O baterista Leonard Haze fica na sua; o guitarrista Dean Howard infelizmente deixa a desejar; o baixista Brett Bloomfield é um monstro, um excelente músico, o cara literalmente rouba o show de Gillan, fica o tempo todo batendo cabeça e fazendo caretas para o público. O show foi bom, isto se levando em consideração que era Ian Gillan que estava lá no palco. O final, a exemplo do show do Deep Purple foi com “Smock On The Water” e o público delirou.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Sandro Andrade (RS)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

RATOS DE PORÃO


Ilustração de Luciano Irrthum

O Ratos de Porão – João gordo, Jabá, Jão e Maurício – fizeram no dia 26 de outubro de 1991, uma memorável apresentação no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre. O público estava bem misto, alguns carecas, um bom número de punks e muitos headbangers e todos estavam à vontade para ver os Ratos de Porão. A abertura do show coube a três bandas locais: M-19, Sarcástica e Quadrilha de Morte. A melhor das três foi a Sarcástica que faz um som bastante influenciado pelo Metallica.

O Ratos de Porão entraram no palco na maior, sem aquele papo de abertura. Quando menos se esperava, lá estava João Gordo & Cia detonando o seu crossover (hard core/thrash-metal). O show começou legal, logo no começo João já detonava um carinha que subiu ao palco chutando o equipamento, azar o dele. João aproveitou para dizer: “enquanto tiverem babacas como este, não vai ter show em Porto Alegre”. Mais adiante João deu mais uma declaração: “pro pessoal que nos chama de traidores digo que a única coisa que mudou nos Ratos de Porão foi que eu estou uns 70kg mais gordo e o resto do pessoal estão cabeludos”. O som estava muito bom, musicas com “Beber Até Morrer” e algumas do começo de carreira tocadas em comemoração, junto com as covers “Work For Never” do Extreme Noise Terror, “Command” dos Ramones e “Ramones” do Motorhead. Alias a cover do Motorhead matou a pau.

Texto: Denílson Rosa dos Reis
Ilustração: Luciano Irrthum (MG)

ENGENHEIROS DO HAWAII


Ilustração de Marcelo Dolabella

Os gaúchos da banda de maior sucesso no cenário do pop rock nacional, os Engenheiros do Hawaii, fizeram no dia 09 de novembro um dos melhores shows de rock de 1991 em Porto Alegre. Claro, não querendo comparar com o lendário Deep Purple e o thrash do Sepultura e Ratos de Porão, que já é outra história. Há muito tempo tenho vontade de falar nos Engenheiros, pois já ouvi muitos me dizerem: “como tu podes gostar de uns caras como estes?”. Eu sempre gostei dos Engenheiros, foi a primeira banda gaúcha que eu curti, pois sempre achei o som da banda sincero. Sei que eles mudaram muito de lá para cá. Hoje praticamente já não agüento mais ouvir as declarações do Humberto, acho que ele ou se perdeu na poeira ou anda bobo demais, mas não consigo ver outra banda pop tão competente como eles, principalmente no palco.

O show começou pontualmente às 21h30min e só terminou 23h45min, após três bis. Os Engenheiros subiram ao palco ao som do hino do RS e saíram ao som do hino da Internacional Comunista. A primeira música que eles detonaram foi “O Papa é Pop” do LP homônimo. O público começou a agitar desde o começo, cantando praticamente todas as músicas, pois tirando as músicas do mais recente LP “Várias Variáveis” o público sabia na ponta da língua todas as demais letras das músicas. Como já disse, os Engenheiros são muito competentes no palco, Humberto faz tudo que uma tiete espera de um rockstar. Carlos mantém o pique normal de um baterista enquanto que Augustinho fica compenetrado quase que o show inteiro, só se soltando mais no palco quando Humberto procura arrastá-lo de um lado para o outro do palco.

O show só terminou após o terceiro bis, sendo que este, precedido de um fato curioso. Já havia sido acendida às luzes e uns 30% das 7 mil pessoas que foram ao show já haviam saído do Gigantinho quando de repente apagaram-se às luzes e a banda voltou ao palco. Foi interessante ver o pessoal que já havia saído voltar correndo novamente para dentro do ginásio.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Marcelo Dolabella (MG)