domingo, 11 de dezembro de 2011

MOTORHEAD


Ilustração: Henry Jaepelt

Heavy metal. Música pesada. Dentro desta linha pesada da música existem várias divisões. Há um heavy progressivo tipo Led Zeppelin, há o heavy anos 70 tipo Black Sabbath, há o heavy anos 80 tipo Iron Maiden, tem o speed metal e dead metal e assim vai. Quando assisti ao Motorhead não curtia  muito heavy, a não ser o dos anos 70 ou algo mais progressivo.

Dia 17 de março de 1989, era novamente o palco do Gigantinho e o que pintava desta vez era um show de heavy. Cerca de 3 mil pessoas ou metaleiros compareceram ao show. Pouco? Claro! Mas foi o suficiente, pois do que adianta ir 15 mil, mas todos sem consciência do que é o heavy, por isso que digo que foi suficiente aqueles malucos que ao entrar davam cambalhotas, se arrastavam no chão, pulavam, se abraçavam, gritavam: “entrei nesta merda!” e principalmente balançavam a cabeça agitando com um som mecânico.

Após meia hora do show de abertura os ilustres da noite, o Motorhead, exatamente às 22h30 sobe ao palco pronto para balançar as estruturas do Gigantinho. O Motorhead é considerado uma das bandas mais barulhentas do heavy e realmente estavam dispostos a provar isto para o público gaúcho. “Boa noite Porto Alegre” e muitos outros gestos para animar os metaleiros fazia Lemmy, vocalista e baixista da banda. Eles começaram fazendo um heavy mais pesado, mas com o decorrer do show ia pintando músicas menos barulhentas, mas sempre pesada. Mas é isso aí pessoal, Motorhead veio para provar que tem muito metaleiro por aqui, louco para agitar e balançar a cabeça.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Henry Jaepelt (SC)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

TITÃS


Dia 22 de outubro de 1988, sábado, estou me dirigindo ao Gigantinho que vai ser palco do melhor do rock nacional (divulgação na imprensa), são os Titãs. Eu particularmente no sou um fã número 1 da banda, mas gosto do som dos caras, principalmente do LP Cabeça de Dinossauro. Já Jesus Não tem Dente no país dos Banguelas não me pareceu tão bom, pois faltou a fúria do LP anterior.

Um dia antes o Nando reis disse em uma FM local: “os Titãs vão detonar o Gigantinho!” Não foi diferente, detonaram mesmo. Dos shows que foi este ano, este foi o que mais sacudiu a galera, ninguém ficou sentado durante uma hora e meia de show, comandado pelos 9 Titãs, sim, 9 Titãs, pois foi convidado Liminha para subir ao palco. Quero destacar a performance do baterista Charles Gavin, muito bom este cara. Agitação e porrada! Titãs!

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Gazy Andraus (SP)

NEW ORDER


A banda inglesa New Order esteve no Gigantinho em Porto Alegre dia 28.11.88 e eu novamente estive lá para conferir de perto o show da banda que veio do Joy Division. O show do New Order é bom, legal de curtir, mas eles pecam num ponto: a cada música ficavam cerca de um minuto para começar a próxima, o que ocorre devido o uso de computadores, o que para mim é um ponto negativo e embora eu sendo leigo no assunto creio que uns 70% do som era pré-gravado, principalmente a bateria, teclado e os efeitos sonoros que é um marca do som do New Order. Mas Isto ainda se aceita pois é o estilo da banda.

Desta vez senti que o público estava mais consciente do que queria, isto certamente por causa das danceterias aqui do Sul que rodam praticamente umas 10 músicas da banda a cada festa. O público girava entre 14 a 20 anos, muitas gatinhas todas achando o máximo o som da banda e provando que uma banda de postura independente, embora um pouco comercializada, pode fazer tanto sucesso quanto uma comercial.

Voltando ao New Order o destaque fica com o baixista Peter Hook e o guitarrista e vocalista Barney Summer, os quais agitaram bastante. Já a tecladista Gillian Gilbert parecia abatida no palco agitando muito pouco, e o baterista Steve Morris manteve-se no nível. New Order foi um bom show, não chegando a ser ótimo, mas valeu a pena conferir de perto.  

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Daniel HDR (RS)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NEI VAN SÓRIA ACÚSTICO

Denilson, Nei e Henrique

Nei Van Sória, fundador de duas fundamentais bandas do chamado Rock Gaúcho, trilha hoje uma respeitável carreira solo com seis discos e um DVD ao vivo. A carreira do músico (guitarrista), cantor e compositor, começou ainda na década de 1980, com a formação da banda TNT. Logo em seguida, junto com o vocalista Flávio Basso (Júpiter Maçã), criaram a visceral banda Os Cascavelletes. Ambas as bandas tiveram uma grande repercussão nacional, tornado-se ícones da formação da identidade do Rock Gaúcho.

Em meados da década de 1990, Nei começa uma sólida carreira solo com o lançamento do disco “Avalon” (1995). Depois veio “Jardim Inglês”, disco mixado em Nashville (EUA) com o clip da música que dá título ao disco, tendo sido gravada na Inglaterra. Van Sória lança ainda os discos “Cidade Grande”, “O Dia Mais feliz da Minha Vida”, “Só” (gravado ao vivo no Teatro Renascença/POA) e “Mundo Perfeito”. Lançou também um DVD ao vivo intitulado “Nei Van Sória – 40 Anos”, gravado no Bar Ocidente.

Tive a oportunidade de ver o show acústico de Nei Van Sória dia 18 de agosto de 2011, no Teatro do SESC, na cidade de Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. O local foi perfeito para o show de Nei, que com uma formação básica (violão, baixolão, bateria e mais um teclado/sanfona), desfilou músicas de seus 40 anos de rock. Começou com duas clássicas do TNT: “Entra Nessa” e “Eu Tô na Mão”, para em seguida tocar músicas de sua carreira solo: “Susie”, “Só”, “O Dia Mais Feliz de Minha Vida” e “Jardim Inglês”. Também estiveram presentes as duas baladonas da época de Os Cascavelletes: “Sob Um Céu de Blues” e “Lobo da Estepe”. Nei ainda homenageou o Rock Gaúcho com “Pinhal” do Cidadão Quem e os 4 garotos de Liverpool em “We Can Work It Out”. Finalizou o show com “Suspicious Minds”, imortalizada na voz de Elvis Presley.

Texto: Denílson Rosa dos Reis

ROCK ALVORADENSE

Imagem: Diego Müller
Alvorada ainda não revelou uma grande banda de rock para o cenário nacional, embora alguns músicos saíram da cidade e mostraram serviço. Mas isso não significa que não exista uma cena roqueira local. Lutando a duras penas, as bandas locais sempre estiveram em busca de um local para mostrar sua música. Analisando a cena local a partir de meados da década de 80 do século passado, vamos comprovar que sempre foi muito difícil mostrar o rock produzido em Alvorada. A Casa do Trabalhador é apontada como o embrião do rock produzido em Alvorada na segunda metade de 1980. A Casa era um espaço cultural situado na Av. Presidente Vargas, parada 50 onde, por volta de 1987, algumas bandas como Os Contra e Dupa Szasrana, faziam ensaios que eram considerados shows para o público freqüentador da Casa.

Mas, um ano antes, o público roqueiro começava a mobilizar-se pedindo, através de um abaixo-assinado com 570 assinaturas, junto a Sociedade União – clube social da cidade – shows de rock. Foi quando bandas consagradas no cenário porto-alegrense por aqui passaram, tais como: Replicantes, Os Eles, Engenheiros do Hawai e Júlio Reny & Expresso Oriente. Além das bandas de fora, ocorreram festas com a participação de bandas locais. Em 1987, o bar O Butikin vai tornar-se o ponto de encontro para os roqueiros. No início, o bar era apenas um local de venda de bebidas para o pessoal que se reunia na Casa do Trabalhador, mas, aos poucos, foi abrindo suas portas para que bandas locais mostrassem seus trabalhos. O bar abria o espaço, os músicos levavam o equipamento e bandas como Câmaras Mortuárias, Alcalóide e Dispersivos tocavam seus acordes, ou melhor, riffs. A cena estava criada, era preciso agora um grande evento.

Como a cena estava acontecendo, era preciso um grande evento. No dia 15 de fevereiro de 1987 ocorreu o Rock no Parque, organizado pelo Conselho de Cultura e com promoção de Ricardo Bolonha. O evento foi um sucesso. Chamadas de jornais e rádios diziam que o “rock passava por Alvorada naquele fim-de-semana”. Talvez por isso, 30% do público veio de fora da cidade. O evento reuniu os principais nomes da cena alternativa gaúcha como Justa Causa e Guerrilheiro Anti-Nuclear, além das bandas da cidade como Hagar e os Horríveis. O Rock no Parque teve até cobertura da TV. O final da década de 1980 era um momento em que surgiam muitas bandas gaúchas de postura contestatória (anarco-punk), era o auge dos Replicantes. Em Porto Alegre, tínhamos o Ocidente (casa de shows) e Vortex (Estúdio, Bar, Loja). Aqui em Alvorada, neste rastro, entrava O Butikin, devido à persistência do público, que transformou o local numa referência do rock independente, com a passagem de vários nomes do underground porto-alegrense. Não era raro a rádio Ipanema FM entrar ao vivo do Butikin para todo o Estado. Com o fechamento do Butikin, o espaço só foi suprido a partir dos anos 1990 com bares como Toscana, Woodstock e Manicômio, que abriram as portas para as bandas locais, a maioria cover, mostrarem o seu trabalho.

O poder público também foi pressionado a abrir espaço para o rock local. Em 1990, na comemoração dos 25 anos do Município, tivemos duas semanas com festas e eventos culturais na praça central. Aos sábados, o palco foi reservado para as bandas de rock, onde se apresentaram: Kaos, Rapeizes do Rock, Esfinge de Cristal, 4HP e Flanger; esta última, com até música tocando em rádio FM. A partir do ano 2000, a Feira do Livro e as comemorações de aniversário do Município tornaram-se a grande oportunidade para as bandas mostrarem seu trabalho mum espaço mais amplo e qualidade de som. Bandas como Fluxo Urbano e Eletro Acústica ocuparam o palco da Feira para grandes shows com público numeroso.

Muitas bandas procuraram criar espaços alternativos a partir de eventos conjuntos. Rock na Calçada, Ensaio de Rua (já passou de uma dezena de edição) e Castro Rock (realizado pelo Colégio Castro Alves) serviram de laboratório para bandas, que vão do reggae ao metal, passando pelo hard core e chegando ao blues da banda Ferro Velho. O rock de Alvorada sobrevive lutando por um espaço para consolidar a cena. Tivemos até o momento, locais sazonais e temporários, conquistados pela luta dos músicos e todos aqueles engajados na proposta de fazer crescer o rock na cidade. Mas o rock não parou em momento algum e continuará caminhando em busca de seu templo.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Diego Müller
Texto originalmente publicado no livro Raízes de Alvorada

domingo, 28 de agosto de 2011

AOS 27 DO 1º TEMPO

Segundo estudos, o ser humano vive em média 80 anos. Se formos transformar nossa vida numa partida de futebol, teríamos dois tempos de 40 anos. O 1º tempo é a fase das descobertas, experiências, criatividade e inspiração. No 2º tempo – mais maduros – fica a inspiração e a criatividade, mas já com mais cautela e, muitas vezes, bastantes comedidos.


Na música, a carreira dos artistas é explosiva no 1º tempo, enquanto no 2º tempo os artistas acabam sobrevivendo de uma carreira consolidada. Não que isso seja errado, é direito dos artistas usufruírem da fama construída até a metade de suas vidas, principalmente para aqueles que tiveram muita criatividade e ainda sabem usá-la para satisfazer um determinado público.


Recentemente, a cantora inglesa Amy Whinehouse interrompeu sua carreira artística aos 27 anos, no auge de sua criatividade e inspiração, entrando para o famoso “Clube dos 27” – artistas mortos com esta idade. Só para lembrar: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e Kurt Cobain tiveram suas vidas interrompidas nessa idade.


Para os fãs da boa música, feita com muita inspiração e criatividade, é lamentável ver estes excelentes artistas saírem do jogo da vida tão precocemente. Quanta música boa, canções maravilhosas e composições criativas teriam saído das mentes brilhantes se eles estivessem entre nós. Agora, resta a obra que ficou para ser aproveitada e apreciada pelas novas gerações.


Texto: Denílson Rosa dos Reis

Ilustração: DeLima Júnior (RS)

JETHRO TULL

Terça-feira, 2 de agosto de 1988. Novamente estou no Gigantinho. Desta vez a festa fica por conta do lendário Jethro Tull. Identifico-me muito com o rock feito no final dos anos 1960 e início dos anos 1970 e foi nesta época que surgiu o Tull. Agora, já com 20 anos de estrada, o Jethro Tull pinta aqui no Sul e eu, de maneira nenhuma, poderia perder este espetáculo.

Foram exatamente 2h de muito rock (folk, progressivo, psicodélico, heavy), tudo comandado por Ian Anderson, mesmo quarentão, com todo o pique magistral de sempre. Alias, a banda subiu ao palco acompanhados de enfermeiras, em cadeiras de rodas, fazendo uma alusão ao fato de serem velinhos. Mas, velinhos bom de rock! Como disse eu não poderia perder este espetáculo e muito menos deixar de registrar nos anais deste blog o espetáculo apresentado pelo Jethro Tull.


Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Diego Müller (RS)